Oficina no Hospital Cajuru!

28

JULHO, 2018

Oficinas

Escrito por Pamela Pickel

Há alguns anos, minha mãe iniciou um trabalho voluntário todas as quintas feiras no Hospital Cajuru. Na época, eu tinha 15 anos e não era autorizado menores de 16 anos fazerem o curso de cuidadores, ajudantes e visitantes do hospital. O tempo foi passando, minha mãe continuou por mais alguns anos a fazer visitas e eu entrei em outro grupo de voluntariado, o qual visitava orfanatos e asilos. Após 5 anos vi a oportunidade de levar um projeto para o hospital que tanto quis. Em uma das aulas do Seminário de Produção Cênica, a professora Titi relatou sobre uma oficina feita no Hospital muitos anos antes. Na hora me veio a inspiração. Pensei “conheço uma violinista, uma bailarina, pessoas incríveis que podem me ajudar a realizar a oficina, vou tentar!” Não perdi tempo. Convidei meus amigos e todos aceitaram. A ideia inicial foi uma apresentação de ballet pelos corredores do hospital, com uma bailarina devidamente caracterizada e um violinista seguindo-a entrando nas alas e corredores, tudo isso sendo filmado e documentado. A data da oficina foi fixada, realizada e ficou marcada no meu coração.

Bailarina: Luísa Andri Colla e Violinista: Rafael Ferreira Semtchuk no Hospital Cajuru, a experiência foi linda!

Fotografia por Enzo Zanelato

Quando imaginei a apresentação, pensei somente em levar uma distração diferenciada para pessoas tão deprimidas passando seus dias num quarto, sendo acompanhante ou estando hospitalizadas. Minha oficina foi mais do que só isso. O brilho no olhar dos próprios funcionários do hospital que pararam e sorriram quando a bailarina passou com uma roupa lilás toda brilhosa; o pedido de uma mãe para entrarmos na UTI onde sua filha estava internada e queria mostrar a dança tão delicada porque, segundo ela, a filha sempre quis ser bailarina; as lágrimas de uma senhora que aguardava algum parente voltar de uma cirurgia agradecendo a visita, eu vou levar para sempre na memória. Acredito que a imagem que passamos foi mais do que somente uma dança. Foi uma demonstração de carinho com pessoas que nunca conhecemos, respeito e amor ao próximo. Foi um gesto de consideração que tocou o coração de muitos. Tenho certeza de que, como eu me senti inspirada e feliz por realizar o trabalho, nossa plateia teve reações maravilhosas e positivas também.

Passei 3 anos acompanhando meu pai durante sua luta contra o câncer no Hospital Nossa Senhora das Graças. Lembro-me muito bem de como o hospital era triste e sem cor, quase chamando os acompanhantes e doentes a sentirem desânimo e cansaço. Quando tive a inspiração sobre a apresentação, recordei desses anos com meu pai e imaginei como seria sua recuperação se o ambiente fosse mais animado. Hoje, penso em dar continuidade em trabalhos artísticos em lugares vulneráveis, ter essa realização pessoal e pensar “hoje eu fiz alguém sorrir”.

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